O executivo socialista da câmara de Vila Real de Santo António, presidido por Álvaro Araújo, usou dinheiros públicos para pagar a sua própria campanha nas autárquicas do ano passado. Foram gastos 183 mil euros do município em ações de propaganda – manobra que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) condenou severamente por “violação dos deveres de neutralidade e imparcialidade”. O processo foi remetido ao Ministério Público para aplicação de multa e procedimento judicial.
O caso surge numa altura particularmente infeliz para o presidente da Câmara, Álvaro Araújo, que tem sido incansável em surpreender os munícipes com novas formas de gestão dos dinheiros públicas – tão inovadoras que o município, com uma mão à frente e outra atrás, não tem dinheiro para repor o papel higiénico nas escolas nem meios para pagar aos monitores das colónias de férias deste verão.
Não bastava ao presidente Araújo a bronca do contrato com o Intermarché local para assegurar um abastecimento estratégico de 900 garrafas de vinho do Porto ‘tawny’, 900 garrafas de tinto alentejano e mais de uma tonelada de bacalhau. O autarca, tal como o 24Horas noticiou na altura não se ficou pela ‘pinga’ e o ‘fiel amigo’. Por cerca de cerca de 74.500 mil euros (91.600 com IVA), pagos pelos contribuintes, comprou um vastíssimo rol de mercearias diversas, do azeite ao grão-de-bico, do feijão branco ao atum em posta, das salsichas em lata aos queijos – a que ele chama “fornecimento contínuo de bens alimentares”.
Interrogado em reunião de câmara para explicar o destino desta impressionante reserva estratégica de mantimentos e 1.800 garrafas de vinho, o presidente atrapalhou-se – e acabou a dizer que o contrato poderá também servir para apoiar as ocupações de verão e os campos de férias das crianças. Os munícipes ficaram sem saber se o presidente quer alimentar a juventude do concelho a sopas de cavalo cansado.
O que se sabe, pela Comissão Nacional de Eleições, é que o executivo camarário socialista presidido por Álvaro Araújo pagou com dinheiro do município a sua própria propaganda nas autárquicas do ano passado. Foram gastos, pelas contas da CNE, cerca de 183 mil euros em lonas publicitárias e em ‘outdoors’.