Nuno Valente, presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, em Palmela, anunciou que deixou de estar ligado ao Chega, partido pelo qual foi eleito nas autárquicas de 2025. A decisão surge depois de os restantes eleitos do partido no executivo terem renunciado aos respetivos mandatos.
“Na qualidade de presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, eleito para o mandato autárquico 2025–2029, venho tornar pública e dar conhecimento formal às entidades autárquicas competentes da minha decisão de cessar a minha vinculação político-partidária ao partido Chega e passar a exercer o mandato em regime de independência política, com efeitos imediatos”, informou o autarca, num comunicado publicado na segunda-feira, dia 10, no site da junta.
Nuno Valente classificou a decisão como “uma decisão pessoal, ponderada e definitiva” e justificou-a com “incompatibilidades políticas e institucionais profundas e insanáveis com estruturas partidárias ex-concelhia e ex-distrital”, além da falta de apoio e de condições de cooperação para continuar a exercer funções.
A saída acontece depois de Carla Serafim, Lourenço Ferreira e Paula Robalo, os outros três eleitos do Chega no executivo, terem abandonado os cargos. Com a renúncia de Paula Robalo, formalizada a 17 de julho, a junta ficou sem quórum para funcionar normalmente.
Em declarações à agência Lusa, Nuno Valente confirmou que passará a exercer o mandato como independente e explicou que a situação do executivo será analisada numa assembleia extraordinária prevista para “a meio de setembro”.
O objetivo, segundo o presidente da junta, passa por “recompor o executivo da freguesia” através de um entendimento entre as forças políticas representadas.
“Se não houver um consenso, haverá eleições intercalares”, admitiu, ressalvando, porém, que essa hipótese será encarada “em último recurso”.
No comunicado em que explica a saída do Chega, Nuno Valente refere ainda que o mandato ficou marcado, desde o início, por episódios de “conflitualidade e incompreensão por parte de determinados intervenientes políticos, sobretudo quando as decisões tomadas pela presidência da junta tiveram como único fundamento a defesa do interesse público, da legalidade, da transparência e dos legítimos interesses da população da freguesia de Quinta do Anjo”.
O autarca defende que a gestão de uma freguesia deve ser feita sem condicionamentos partidários, pessoais ou internos e garante que pretende manter autonomia nas decisões relacionadas com Quinta do Anjo.
Nuno Valente fez também questão de esclarecer que a saída do partido “não representa uma renúncia ao mandato, nem um abandono das responsabilidades” assumidas perante os eleitores.
Apesar de reconhecer a importância dos partidos no funcionamento democrático, o presidente da junta considera que esse papel “não pode significar a aceitação de condicionamentos partidários sobre a atuação de um órgão autárquico”.
“A minha saída do Chega não significa que abandone o projeto para o qual fui eleito. Significa que passo a exercê-lo com plena independência política e com uma única prioridade: Quinta do Anjo”, declarou.
Nas eleições autárquicas de 2025, o Chega foi o partido mais votado na freguesia, com 26,94% dos votos e quatro eleitos. A CDU ficou muito próxima, com 26,71% e também quatro mandatos, seguindo-se o PS, com 25,50% e três eleitos, e a AD, com 13,90% e dois representantes.
O executivo da junta era composto inicialmente por quatro eleitos do Chega e um da AD. Depois das três renúncias, permanecem apenas Nuno Valente, agora independente, e um eleito da AD.