A guerra entre a Fenprof e Fernando Alexandre subiu de tom e deverá chegar aos tribunais. A Federação Nacional dos Professores decidiu avançar judicialmente contra o ministro da Educação, depois de este ter acusado o sindicato de ter feito “tudo para que corresse mal” o processo de classificação digital dos exames nacionais. Uma afirmação que a estrutura sindical da CGTP considera grave e ofensiva.
A polémica nasceu esta sexta-feira, dia 25, em Guimarães, quando Fernando Alexandre foi questionado sobre a queixa apresentada pela Fenprof à Provedoria de Justiça relativamente ao pagamento do trabalho suplementar dos professores classificadores. O ministro contra-atacou e acusou a federação de estar incomodada por o Governo ter remunerado os docentes.
“Isso é que incomoda a Fenprof, é que correu bem, e a Fenprof fez tudo para que corresse mal”, afirmou Fernando Alexandre. O governante garantiu ainda que foram pagos cerca de três milhões de euros a mais de 11 mil professores classificadores e anunciou que, no futuro, haverá uma contratualização específica para este trabalho.
A Fenprof contesta frontalmente esta versão e prepara-se para levar o ministro a tribunal, considerando que foi ultrapassada uma linha ao ser-lhe atribuída a intenção de prejudicar o processo dos exames.
O confronto surge depois de um verão marcado por fortes perturbações na classificação digital. Foram registados problemas como folhas em falta, erros na associação de páginas às provas e classificações incorretas, que provocaram atrasos na divulgação de resultados.
A Fenprof já tinha recorrido à Procuradoria-Geral da República em julho para pedir o apuramento de responsabilidades pelas falhas. O Ministério Público abriu posteriormente um inquérito.
Agora, porém, o conflito deixa de estar apenas centrado nos exames: são as próprias palavras de Fernando Alexandre que ameaçam colocar frente a frente, em tribunal, o ministro da Educação e a maior federação sindical de professores.