O Presidente da República, António José Seguro, concluiu que a gestão governamental durante as tempestades que afetaram a região Centro revelou “insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade”. As conclusões constam do relatório da Presidência Aberta, já entregue aos grupos parlamentares.
No documento, Seguro aponta “debilidades” na resposta à crise: falhas no aviso e na comunicação de risco, falta de articulação entre os vários níveis da administração pública e “excesso de improviso e de articulações construídas sob pressão”. O relatório critica ainda ambiguidades na coordenação entre freguesias, municípios, protecção civil, forças de segurança, Forças Armadas e operadores de infra-estruturas críticas.
Entre as prioridades de ação, o chefe de Estado elenca como urgente o desbloqueio de pagamentos e apoios ainda pendentes, sublinhando que os apoios que “chegam tarde perdem parte substancial da sua eficácia social e económica”. Seguro alerta também para a necessidade de remover material lenhoso acumulado antes do Verão, tendo em conta o risco de incêndios.
O relatório foi elaborado por João Miguel Coelho, consultor económico do Presidente, numa iniciativa que a Aliança Democrática recebeu com reservas, com vozes a questionar se Seguro estará a extrapolar as funções presidenciais.