Donald Trump, de 80 anos, terá deixado discretamente a Turquia a bordo de uma aeronave militar diferente daquela que a Casa Branca indicava como sendo utilizada pelo presidente dos Estados Unidos. A operação terá sido desencadeada por uma alegada ameaça de assassinato atribuída ao Irão, segundo o Washington Post.
O episódio aconteceu após a participação de Trump na cimeira da NATO, em julho. Na altura, Trump tinha viajado para a Turquia a bordo do novo avião presidencial, oferecido pelo Qatar, mas, para a viagem de regresso ao Reino Unido, a informação divulgada oficialmente indicava que seguiria no antigo Air Force One.
De acordo com o Washington Post, que cita um responsável norte-americano envolvido na operação e outra pessoa familiarizada com os acontecimentos, Trump terá sido transferido secretamente para um C-32A, uma aeronave militar de menores dimensões utilizada pela Força Aérea norte-americana.
A mudança terá sido feita através de um camião de catering, numa operação destinada a evitar que a localização do presidente fosse detetada. Enquanto Trump era encaminhado para o C-32A, jornalistas e elementos da Casa Branca embarcaram no antigo Air Force One, acreditando que o chefe de Estado viajaria com eles.
O avião que transportava a imprensa partiu de Ancara com destino à base aérea de Mildenhall, no Reino Unido, funcionando, na prática, como uma espécie de isco.
Antes da partida, Trump tinha escrito na rede social Truth Social que pretendia viajar no antigo Air Force One azul-claro “por nostalgia” até Mildenhall. O novo avião presidencial faria igualmente uma escala na base, onde militares norte-americanos teriam oportunidade de o visitar.
Durante o embarque, os jornalistas receberam instruções para manterem fechadas as persianas das janelas da zona reservada à imprensa. Questionado posteriormente sobre o motivo, Trump respondeu que provavelmente estavam “num voo perigoso” e acrescentou, em tom descontraído: “Mas se eu for, vocês vão. Certo?”
Segundo o Washington Post, o C-32A que transportava Trump aterrou em Mildenhall por volta das 22:20 de 8 de julho, cerca de nove minutos antes do antigo Air Force One. O Presidente só voltou a surgir publicamente mais tarde, quando desceu as escadas do avião que servia de isco, às 22:56. Não é conhecido como foi feita a posterior transferência entre as duas aeronaves.
Trump cumprimentou alguns militares antes de seguir para o novo avião presidencial oferecido pelo Qatar.
A Casa Branca não confirmou nem desmentiu os detalhes avançados pelo jornal sobre a operação. Steve Cheung, diretor de comunicação da presidência, limitou-se a garantir que a nova aeronave dispõe de “protocolos de segurança de alto nível” para proteger o presidente e a sua equipa.
“Há muitos inimigos dos Estados Unidos que o têm como alvo, e nós usamos todas as ferramentas à nossa disposição para combater estas ameaças”, justificou Cheung, citado pelo Washington Post.