O ex-primeiro ministro espanhol Felipe González defende a realização de eleições antecipadas em Espanha, devido ao caso Zapatero. O socialista descarta, no entanto, uma moção de censura por acreditar que isso iria ofuscar o debate sobre Zapatero.
“Deveria haver eleições este ano”, afirmou esta segunda-feira, 25, González durante uma conferência com líderes empresariais, em Valência, Espanha. Em causa está a recente acusação ao ex-primeiro-ministro socialista José Luís Rodríguez Zapatero de delitos como tráfico de influências, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e organização criminosa.
Ainda assim, Felipe González rejeitou a apresentação de uma moção de censura pelo Partido Popular (PP): “Se eu fosse do PP agora, não apresentaria uma moção de censura, porque pararíamos de falar sobre isso [caso Zapatero] e começaríamos a falar sobre a moção.”
González considera ainda que a polémica em torno de Zapatero afeta o país e o partido, tendo “um custo reputacional para todos”. O ex-primeiro ministro espanhol defendeu, ainda assim, a presunção de inocência de Zapatero e duvidou da sua capacidade de organizar tal esquema: “Não o vejo como capaz de montar uma operação de engenharia financeira como essa que estou a ver.”
O caso de corrupção de que Zapatero é acusado remonta há mais de 15 anos, já que terá acontecido durante o período em que esteve no poder, entre 2004 e 2011. Segundo a acusação, o ex-primeiro-ministro terá desviado 53 milhões de euros de fundos públicos, no âmbito do resgate da companhia aérea Plus Ultra.