Mário Centeno, de 59 anos, sobe o tom contra o Governo AD. Em entrevista ao ‘Conversa Capital’, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o antigo governador do Banco de Portugal questiona os alertas do primeiro-ministro sobre os riscos para as contas públicas e exige que o Executivo explique exatamente o que está em causa.
“Quando um primeiro-ministro nos mete medo, devemos perguntar o que é que ele sabe que nós não sabemos”, afirmou Centeno, defendendo que “governar sob o medo não deve ser a norma de um Governo”. E insistiu: “Não é de ânimo leve que um primeiro-ministro diz aquilo que Luís Montenegro disse”, pelo que considera necessário esclarecer “o que é que está por trás daquela frase”.
O antigo ministro das Finanças do Governo PS deixa também um alerta sobre as metas orçamentais europeias. Segundo os seus cálculos, se Bruxelas não as rever, Portugal poderá ter de fazer um ajustamento de 12 mil milhões de euros nos próximos dois anos. Centeno quer, por isso, que Montenegro ou o ministro das Finanças expliquem onde será feito esse esforço.
O economista contesta ainda a existência da margem orçamental invocada para novas medidas. “A Administração Central vive um profundo défice”, afirmou, antes de criticar a utilização dos excedentes acumulados anteriormente: “Nós desbaratámos esse dinheiro. Eu não tenho outra expressão para usar. As contas certas não são compatíveis com desbaratar o dinheiro.”
Centeno critica a redução do IRS e o bónus aos pensionistas, mas também o IVA zero defendido por PS e Chega. Sobre o recurso à dívida e a compra de capital da REN, fecha com outro aviso: “Estamos a brincar com o fogo na questão do endividamento.”