A crise da habitação em Espanha levou centenas de pessoas a passar a madrugada deste domingo, dia 27, acampadas na Puerta del Sol, no coração de Madrid, depois de uma manifestação que juntou dezenas de milhares de pessoas. O protesto, convocado pelo Sindicato de Inquilinos, teve como lema ‘Ni una Maricarmen más’ e terminou com a instalação de tendas junto à sede da Comunidade da capital do país vizinho.
Na origem da mobilização está o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, retirada na última quarta-feira da casa onde vivia há mais de sete décadas. O caso transformou a idosa num símbolo da contestação às dificuldades no acesso à habitação e à atuação dos grandes investidores imobiliários.
“Não aguentamos mais este sistema rentista que nos espreme e nos expulsa dos nossos bairros”, denunciou o Sindicato de Inquilinos, que exige ao governo de Pedro Sánchez medidas urgentes. Entre elas está a renovação dos contratos de arrendamento e maior proteção dos inquilinos perante despejos.
A pressão está agora concentrada no Conselho de Ministros de terça-feira, dia 29. Os manifestantes exigem a aprovação do chamado ‘decreto Maricarmen’, destinado a reforçar a proteção dos arrendatários. Do hospital, onde permanece internada, Maricarmen também apelou diretamente a Sánchez: “Quero que o que me aconteceu sirva para que se mudem as leis injustas.”
Na Puerta del Sol, o aviso político dos manifestantes foi contundente: “Ou cai o rentismo, ou cai o governo.” O acampamento, que evocou entre alguns participantes o movimento dos ‘indignados’ de 2011, prolongou durante a noite a pressão sobre o executivo espanhol.